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Faísca no Porão Escuro

Ao revisar o blog, passados mais de 8 anos desde a viagem final, encontrei esse post guardado nos meus rascunhos. Palavras que me fizeram relembrar alguns momentos que estavam em algum lugar no porão da minha mente.
Talvez o brilho, a faísca que faltava para voltar a escrever, fascínio que carrego ao conseguir dar voz aos meus pensamentos.
Abaixo o excerto:

Turquia. Lugar de misturas religiosas. Muçulmano, judeu, cristão. Vivendo lado-a-lado, pacificamente.
Minha jornada de mais de um mês viajando começa por aí.
Durmi no aeroporto de Londres e peguei o primeiro voo do outro dia pra Istambul.
Entro no avião, sento numa das últimas poltronas vagas. Do meu lado, um homem muçulmano me encara fitosamente. Digo "hi" pra descontrariar, e ele retribuí de forma muito educada e com um sorriso simples no rosto.
Tava viajando sozinho mesmo, não tinha nada a perder, então perguntei pra ele - logo de cara, percebo que existe uma pergunta poderosa pra início de conversa - "De onde você é?"
Enfim, o inglês dele era quase inexistente. Ele era turco e ao que entendi, visitava frequentemente Londres pra assistir aos jogos do Manchester Utd.
Ele se dispoz a me ajudar, sem eu nem precisar pedir. Passei pela imigração. Passaporte carimbado. Ele me diz pra esperar com a mala dele. Ele ia no freeshop, bem na frente, no meu campo de visão. Um frio na espinha. O telefone dele toca. Eu tento reproduzir em português o que ele poderia estar falando: "Achei um estrangeiro aqui, viajando sozinho, deixei a mercadoria com ele."
Mas ele volta em menos de meio minuto. Passou. Troco o dinheiro na casa de cambio (lira = real). Ele me diz que onibus pegar. Ele pega o mesmo. E continua seus telefonemas. Ele desce do onibus e me diz que minha parada é depois. Bom, me roubar não vai mais, então ele realmente tava sendo um bom anfitrião. Em não muito tempo, descubro que os turcos são, de longe, o povo mais amigável que tive contato durante a viagem.

Já no primeiro dia, visitei a Basílica de Sofia (Aghia Sophia), a mesquita Azul e a mesquita Nova. O lugar é simplesmente sensacional. As pessoas paravam e me perguntavam se eu não queria que tirassem fotos para mim. Todas com certa dificuldade em falar inglês, maioria zero. Mas com muita boa vontade.
O dia terminou assim. Chego no meu hostel, podre de cansado e me deito com roupa e tudo, só pra descansar. Nisso, o Jack, dono do hostel, chega com dois brasileiros que estavam no mesmo quarto que eu.
Trocamos uma ideia rápida. Combinamos de no outro dia, sairmos junto. Pensavam como eu: sem hora pra acordar.

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